(Capítulo 07 Episódio 5) – VIAGEM PARA A RUSSIA Essa por sua vez, pouca atenção lhe deu e continuou envolvida nas conversas ruidosas e uma galera animada que estava em seu inicio de noite. Muitas gargalhadas, comentários efusivos e discussões paralelas e todo o burburinho natural de uma mesa repleta de amigos. No palco, o jovem Bosco Fernandes abraçado ao seu violão cantava as musicas que esse público gostava de ouvir. Posso estar enganado, mas na percussão o também jovem Hamilton Pamplona da o ar de sua graça, impondo um ritmo perfeito. Essa era a noite antes de que a possibilidade de viajar para a Rússia, fosse para o espaço. De vez em quando, Joaozinho arriscava um toque no ombro de Berê e dizia: – Já é tarde, vamos embora! Esse gesto insistente, aos poucos foi irritando Berê, e em dado momento a bomba explodiu. É necessário descrever que a cena foi surpreendente. A casa estava praticamente repleta, pois naquele momento dos anos 90, o “Chega de Saudade” era o local top mais procurado pela moçada. Muitos ainda muito jovens e todos aficionados pelas apresentações dos músicos que já estavam começando a conquistar seu espaço na noite barreirense. Mesmo com a vinda de muitos sulistas e cearenses para a cidade, todos de certa forma se conheciam, Barreiras ainda era muito pequena e o pessoal que curtia a noite, costumava frequentar os mesmos locais em busca de diversão. Nely Nancy, proprietária da casa, tinha sacado a possibilidade de proporcionar aos amantes da noite barreirense um local que muito se assemelhava ao próprio nome do bar; “Chega de Saudade”. No entanto, para Berê Brasil, chegou o momento de chega de paciência. Abruptamente levantou-se da cadeira e disparou em Joaozinho Perestroika, toda sua indignação. – Olha meu camarada! Pegue suas passagens para Rússia e enfie no devido lugar, ninguém me governa, ninguém me submete a nada. Suma daqui seu bosta! O que foi dito na realidade, foram palavras muito mais fortes, que por uma questão de respeito aos possíveis leitores, preferi readaptar. No entanto, o fato de ter levantado a saia e dito que o que estava mostrando dependia apenas de sua vontade e não da preferencia pública, foi um fato que ainda está registrado em minha retina, por ter sido testemunha ocular do episódio. Berê voltou a mesa, acomodou-se e continuou no papo animado como se nada de anormal tivesse acontecido. Joãozinho, que já apresentava natural estatura baixa, escafedeu-se… sumiu… (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 07 Episódio 4) – VIAGEM PARA A RUSSIA Desse encontro casual, que poderia ser interpretado, como a junção da “fome com a necessidade de comer”, já que tudo seria resultado de conveniência, foram acontecendo certas intimidades. Diga-se de passagem, apenas proliferando na cabeça de Joãozinho Perestroika, porque acredito que jamais tenha feito parte das intenções de Berê Brasil. Ela era famosa por sua independência e por seu senso de liberdade, não permitiria sequer a ameaça de grilhões e imposições. Sua intenção era viajar, conhecer as estepes russas, talvez o som das balalaicas e quiçá, estar sempre longe da Sibéria, pois lá era o reduto dos contras. João tinha uma mala, acredito que todo “mala” tem uma mala. Faz parte da composição estética e deve ser uma característica comum, entre os que pretendem demonstrar para outros o que de fato estão longe de ser. E com essa inseparável mala ele comparecia periodicamente ao café da manhã de Berê Brasil, na rua Guadalajara. Os dias eram difíceis, faltava dinheiro, oportunidade e o reconhecimento que sempre foi negado aos artistas, aos escritores, aos críticos, aos fora da curva, os que fogem da mesmice. Contudo, Berê Brasil, demonstrando um inegável espírito solidário, oferecia seu café da manhã, ao mais chegados amigos e companheiros. O membro mais assíduo nesse momento, era o dito “Joãozinho Perestroika”, que chegava de mansinho, meio sorrateiro, falava pouco ou quase nada. E o tempo foi passando e por essa ou qualquer outra razão, Perestroika foi se sentindo cada vez mais íntimo. Em dado momento, passou a ser a segunda sombra de Berê, pois estava em todas e em todo momento. Esse grude começou a se tornar desagradável para a moça, pois seu senso nato de liberdade estava de certa forma ameaçado. Arrisco supor que Berê já estaria considerando se valeria a pena conhecer Moscou, assistir ao vivo o teatro Bolshoi, tomar Vodka e reler o manifesto comunista em seu próprio berço. E não demorou muito para tudo terminar. Foi em um princípio de noite no bar temático “Chega de Saudade”, administrado por Nely Nancy, que Berê, acompanhada de muitos amigos e amigas curtia seu momento de lazer. Mesa ruidosa de conversas paralelas de gargalhadas esporádicas, um clima muito típico nesse ambiente frequentado por artistas, músicos, jornalistas na “indaga” de sempre. Joaozinho chegou. Ele e sua inseparável mala. Não procurou cadeira para sentar e se posicionou estrategicamente atras de Berê. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 07 Episódio 3) – VIAGEM PARA A RUSSIA Tudo começou com um certo sindicalista conhecido na região pelo apelido de Joaozinho Perestroika. Se minha memória não falha ele ocupava o cargo de Juiz Classista, ou qualquer outra coisa do gênero. Cidadão de baixa estatura, pele escura, comportamento discreto, de poucas palavras, talvez pelo fato de aparentar ser analfabeto. Pode até ser que não fosse, mas a aparência brejeira, seu modo furtivo de se comportar, deixava a evidência de que se tratava de uma “peça rara”. Dessas que aparentam não ter endereço fixo. Essa figura, percorreu praticamente todo o Oeste da Bahia, prospectando adeptos ao partido político PcdoB. Coisa que naturalmente justificou seu apelido de Joãozinho Perestroika. Dizem que esse trabalho silencioso levou para o partido não centenas, mas milhares de trabalhadores sertanejos, que mesmo sem entender de ideologia, de questões partidárias ou qualquer coisa próxima a isso, ingressaram nesse partido. Consequência natural, para que a então União Soviética, resolvesse premiar essa figura militante por sua incrível obstinação em reforçar as colunas comunistas do Além São Francisco. Dizem, porém não sei se foi de fato real, que o governo comunista ofereceu ao mesmo uma viagem gratuita para Moscou, com direito a acompanhante. E que ao lá se estabelecer teria direito a frequentar uma universidade cubana, que não me recordo do nome. Joaozinho com sua carinha de “fuinha”, estava empenhado em convidar alguém para essa aventura premiada. Sabedor de que seu português só funcionava com seus pares e que a exigência provável seria inicialmente o inglês, por ser uma língua internacional, nem sonhava que encontraria por aqui, alguém que dominasse o russo. Muito embora, nessa região sempre proliferou o comunismo e o socialismo de conveniência. De alguns poucos que leram Marx e outros tantos que só ouviram falar, mas nenhum deles dominava a língua russa. Reproduziam palavras de ordem do tipo: “revolução operária” e outras palhaçadas do gênero. Enfim comunistas ferrenhos para o povo, capitalistas austeros para seu próprio prazer e deleite. Nessa caminhada, Perestroika encontrou Berê Brasil e brotou deverasmente uma amizade de pura conveniência, pois ambos eram apaixonados pela esquerda e pelos princípios básicos que enganaram todos os povos que se deixaram levar pelo sistema. Mas esse é outro caso. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 07 Episódio 2) – O SALMO 25 Foi nesse espaço de tempo que tomei conhecimento do artista, de suas obras e de suas travessuras. Seu habito estranho e perigoso de andar com serpentes venenosas até dentro do chapéu. Chegou a contar que certa vez foi picado por uma delas e que seu tratamento foi a base de alho, sem nunca pensar em tomar a vacina. Considerava o alho um poderoso antídoto, para amenizar as consequências quase sempre fatais da peçonha. Se isso era verdade, não tenho como afirmar, mas ele insistiu muito nos poderes curativos do alho. De assunto para assunto, fomos avançando pela noite e sem percebermos estávamos em plena madrugada. Essa degustação entrou mesmo, pela madrugada a dentro. A professora terminou por não mais insistir na execução da obra. Viajou no dia seguinte para a capital da Paraíba e na sua volta, passados alguns meses, encontrou-se com Agamenon na rua. Pretendia ouvir dele, qual seria a desculpa para não terminar de pintar o texto que tanto pretendia que fosse representado na tela. Acredito que tenha tido ainda a esperança, que o Mestre tenha enfim, terminado de compor o texto. Qual nada. Para seu constrangimento, ouviu de Mestre Agá, uma das mais criativas e inusitadas desculpas. Fato esse que tenho contado para inúmeras pessoas, pois entendi o quanto a irreverencia do artista era inovadora e surpreendente. – Professora me perdoe! A tela ainda está em meu estúdio, no mesmo jeito daquela noite. Porém, essa bíblia pequena, de folhas tão delicadas, desfolhei uma a uma. E posso lhe afirmar que no decorrer de todo esse tempo, posso hoje em dia, não ter Deus no coração, mas acredite, devo ter ele no meu pulmão. Fumei todas! Agamenon é um pouco disso e muito daquilo. É aquilo tudo, que poucas pessoas teriam a coragem de ser. Uma personalidade impar que retrata em suas inúmeras obras o registro de sua alma revolucionaria e contestadora. Acredito que consegue viver minuto a minuto sem se preocupar com sua aparência e muito menos com a opinião pública. Está livre dos grilhões da mesmice, dos conceitos e dos modismos que permeiam pela sociedade, impondo seus conceitos herméticos e opressores. Um artista, como poucos artistas conseguem ser. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 07 Episódio 1) – O SALMO 25 Os artistas plásticos de Barreiras conseguem pertencer a um episódio a parte. Pelo que nós leigos entendemos, conseguimos perceber que em suas obras que eles enxergam o mundo a sua volta, de uma maneira muito diferente. Seja por isso que são considerados artistas. Com certeza é um dom que alimentado por certas substâncias, afloram de maneira surpreendente. A obra final explode algumas vezes na cor, na forma e na ilusão de um suposto movimento. Porem a interpretação de sua arte fica a critério de cada leigo observador. Muito natural, pois cada um com seu entendimento e cada qual com observações diferentes, que dificilmente refletem o que o artista quis mostrar. Entre um punhado deles, Agamenon Amorim é por si só uma pessoa completamente fora da curva. Todavia suas obras refletem uma certa candura, uma singeleza muito evidente, que destoa completamente de seu comportamento social. Essa observação é totalmente de minha completa responsabilidade, tenho por ele carinho e respeito profundo. Para mim um mestre que detém durante sua existência uma forma exclusiva de quebrar paradigmas. Professora Ana Maria de Alencar Florentino, sabedora da competência artística de Agamenon, levou certa vez, uma tela virgem, para que o Mestre reproduzisse em letras garrafais o dito Salmo 25. Iria presentear seu cunhado o renomado médico paraibano Weber Toscano, com a dita tela. Eu estava presente e lembro que Agamenon não contou tempo e colocando a tela no cavalete, escreveu Salmo 25, mas não passou disso. Começou a conversar, contar “causos”, porem com a promessa que logo terminaria a obra. Para tanto a professora entregou aquela Bíblia pequena, comum em gavetas e hotel, com o texto marcado no Salmo 25. A intenção da professora era de viajar para João Pessoa no dia seguinte e considerando que se tratava de coisa simples, logo Agamenon completaria o texto. Coisa que de fato não aconteceu, pois tanto eu como o Mestre, estávamos provando o conteúdo de inúmeros cocos que alguém deixou para que Agamenon pintasse. Uma cachaça curtida no interior do coco de sabor suave e inebriante. Veja só, comentou o artista, que vacilo, trazer essa montoeira de coco com cachaça dentro. Logo para quem gosta de fruta. E assim, fomos degustando a pinga, enquanto a tela do Salmo 25, foi logo esquecida. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 06 Episódio 2) – RESTAURANDO O PADROEIRO Imagino que entre umas e outras, debruçaram-se no trabalho. Raspa aqui, lixa ali, toma uma, fuma outra e a obra começou a ser restaurada. Conhecendo esses dois artistas, já era possível imaginar que seu fazer artístico e seu senso crítico, foi o fator norteador do processo. Mestre Randesmar vivia sua faze artística, obcecado pelo caju, por entender que essa fruta tropical tão comum na região, tinha que ser eternizada em suas obras. Inúmeras delas que expos nesse período, estavam infestadas de caju. Colorido forte, muita luz e muito caju. Enfim o caju visto por diversos ângulos. Por sua vez, Mestre Agamenon deve ter contribuído muito com suas ideias e experiencias artísticas e possivelmente colocou nessa obra de restauração, toda sua capacidade criativa. Esse fato, segundo me foi relatado, aconteceu por volta da década de 80, meados de 90. Os artistas eram ainda muito jovens, criativos e irreverentes. Seja pelo efeito do que ingeriam na ocasião, ou talvez pela fumaça que produziam, ou mesmo pela “indaga” irreverente nos seus inúmeros encontros que os unia, o resultado final foi surpreendente. O São Desidério estava parcialmente livre dos cupins, liso e exuberante, com um aspecto totalmente renovado, quando a dupla deu por concluída a obra. Pincelado de rosa choque e com um reluzente manto azul turquesa. Uma beleza! Quem dizem não ter gostado nada desse resultado, foi o contratante, que ficou deverasmente escandalizado com o aspecto gay da imagem. Desconheço como ele se apresenta nos dias de hoje e de que forma, cor ou maneira foi refeita a obra, pois não visitei a igreja matriz de São Desiderio, por motivo muito óbvios, os quais comungo com esses dois inovadores artistas plásticos. Anos mais tarde a punição chegou para Mestre Randesmar, que no governo do Doutor Saulo Pedrosa, no afã controverso de construir a tal “Baia de Guanabara”, retirou a escultura metálica do “Guardião do Rio”, de autoria do Mestre. Até hoje não se sabe por onde ela se encontra. Foi de Rildo Senna que ouvi essa história e acredito que de fato aconteceu. A dita restauração do Santo foi um fato hilário, dos muitos que esses dois artistas já produziram em ambas as carreiras. Hoje estão tão velhos quanto eu, cansados da ausência de reconhecimento por parte de inúmeros políticos que por aqui ocuparam o poder. Tomei a decisão de registrar essa estória, para que o povo dessa terra de tantas “indagas”, não apague da memória o fazer artístico dessas duas personagens as quais reputo admiração e respeito. E mais uma vez afirmo, dando uma de Chicó, só sei que foi assim… (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 06 Episódio 1) – RESTAURANDO O PADROEIRO Na “Velha Barreiras” da década de 70 é até nos dias atuais, se torna muito difícil desassociar a política partidária das situações corriqueiras na vida de seus munícipes. Tudo depende ainda de decisões que acontecem de cima para baixo, gerando uma dependência muitas vezes sutil, outras completamente escancaradas. Os resquícios crônicos do “antigo coronelismo” são ainda muito presentes. Em cada nova eleição, onde alguns grupos pretendem difundir ideias inovadoras, sempre acabam engolidos pelo velho habito do servilismo e da subserviência. Essa situação se revela no culto que tenta retroceder aos costumes dos velhos falsos heróis políticos do passado, como se acreditassem que agora poderiam fazer algo de positivo. E caso tenham feito algo quando estavam no poder, tenham absoluta certeza que foram atos isolados, particulares ou em benefício próprio. Pois não fizeram e agora seus parentes, filhos ou netos, gastam fortunas para voltar ao poder. A imbecilidade e a ausência de conhecimento de parte de um povo que perdeu o sentido da lógica ou da razão, os acompanha. Betinho, quando prefeito de São Desidério, produziu algumas hilárias trapalhadas e foi durante toda a sua vida um típico político de interior. Trouxe para a cidade, não se sabe vindo de onde um mini Cristo Redentor, que mesmo de pouca estatura, abre seus braços para a famosa “Cuia”. Um ato político/religioso que demonstrava sua capacidade populista e supostamente benevolente com o povo de sua cidade. São Desidério necessitava de ações, atos e obras e muito pouco de um ídolo de madeira. Todavia Betinho, muito religioso havia observado que a imagem do santo padroeiro da cidade, necessitava de restauração. Foi então que procurou Randesmar e contratou esse conhecidíssimo artista plástico de Barreiras para executar esse trabalho. Por sua vez o artista, que não parecia demonstrar muito interesse pelo trabalho a ser executado, deixou a imagem do santo, abandonada em um canto de seu estúdio. Passados alguns dias, os dois artistas se encontraram para suas conversas informais e Agamenon reconheceu o santo padroeiro e perguntou ao colega, do que se tratava, pois não entendia o que o raio do santo fazia naquele lugar. Foi então que mestre Randesmar lhe participou da empreitada solicitada pelo prefeito Betinho na intenção de restaurar a imagem do santo. Conversa vai, conversa vem e terminaram por executar a obra. Enfim, estavam com tempo de sobra e não custaria nada realizar o desejo do prefeito. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 05 Episódio 3) – OVNIS VISITANDO O NEGO D’ÁGUA Acredito que ilusão coletiva só deve acontecer com os seguidores do PT, por razões que só eles podem explicar, essa suposta ilusão coletiva no Nego D’água, não ocorreu. Eles presenciaram tudo e o teletipo consultado, revela que isso tem lá sua veracidade. Recordando essa estória depois de tantos anos, fico imaginando o impacto psicológico que os integrantes da “esquadrilha” sofreram. Mesmo porque hoje o consumo dessa erva que já tem comprovação científica de que determinados componentes são benéficos a saúde, possou a ser assunto corriqueiro. Por minhas experiencias jornalísticas de tantos anos, nunca tomei conhecimento de que uma pessoa ao consumir essa erva, está predisposto a matar ou tomar qualquer atitude violenta. Muito pelo contrário, os efeitos reais levam o consumidor para um estado de apatia, reflexão e calma. Tenho depoimentos de empresários atribulados e constantemente resolvendo seus problemas, que ao final de tarde recorrerem ao consumo da canabis. Mas nenhum deles relatou que viu disco voador. Um dos objetivos de relatar esse episódio e suas consequências hilarias, em momento nenhum procurou ofender ou denegrir as pessoas relatadas. E sim demonstrar o quanto o preconceito existente e encalacrado na sociedade, contribui para distorcer fatos e transforma-los em narrativas. Para os muitos que já leram o Pequeno Principe obra do francês Antoine de Saint Exupery, quando relata que um astrônomo turco ao descobrir um novo asteroide, levou essa notícia ao Congresso Anual de Astrologia, mas infelizmente trajava sua indumentaria turca, por esse motivo preconceituoso, não conseguiu adentrar no recinto. No ano seguinte trajando “smoging” foi recebido imediatamente. O preconceito tem contribuído sistematicamente para atrasar conhecimentos. Basta lembrar na concepção da Igreja, a Terra era plana e que a suposta tentativa de dar a volta ao mundo não era possível. Os remédios tornaram-se drogas e as drogas evoluíram para se tornarem remédios. Muito embora os adeptos da Terra Plana, nos dias atuais anda contestem, suponho que são eles, e mais ninguém os verdadeiros alienígenas. No caso em questão, se houve ou se não houve, dificilmente poderemos saber, mas que alguns integrantes da “esquadrilha”, momentaneamente se arrependerem do consumo da “erva” e por essa razão seu testemunho, não valeu nada. Disso e do preconceito inserido no assunto, tenho absoluta a certeza. E para amenizar recorro a Chicó personagem da obra de Ariano Suassuna: – Só sei que foi assim… (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 05 Episódio 2) – OVNIS VISITANDO O NEGO D’ÁGUA Os jovens se olharam embasbacados. Seria efeito da “erva”? Pouco provável, pois uma ilusão coletiva da mesma situação era impensável. Enfim, vimos ou não vimos! Aconteceu ou não aconteceu? O que me contaram e se disseram testemunhas oculares do fato é que o jovem Jorge Figueiredo, resolveu subir as escadarias que permitiam o acesso ao trailer na intenção de perguntar ao proprietário do estabelecimento se tinha visto alguma coisa. O proprietário era Jorge Lemansk, que ocupava no governo Saulo, o cargo de Secretário de Agricultura e no momento do ocorrido, estava com fones de ouvido, curtido suas músicas clássicas. Diga-se de passagem, um cidadão conceituado, que detinha uma postura de seriedade muito elogiada. De Jorge para Jorge a pergunta foi feita: – Você viu alguma coisa estranha? A resposta foi dada sem dó nem piedade: – Vi! Mas não vou servir de testemunha para maconheiro nenhum! Risos e decepções a parte, foi assim que me contaram e da mesma forma relato. Como o assunto foi banalizado pelos próprios integrantes da chamada “Esquadrilha da Fumaça”, posteriormente, segundo aos próprios relatores do fato, isso virou “cordel”. Possivelmente de autoria do jovem Holanda ou mesmo de Pinta Machado. Porem, e sempre existe um porem se o jornalista em busca de comprovação de fontes, se debruça na busca do que pode ser verídico, ou tratar-se apenas da famosa “indaga” dos barreirenses, parti para mais adiante. Foi então que nessa busca, conferi as notícias cuspidas pelo infernal teletipo, no dia seguinte ao relatado. E constatei que certo avião cargueiro da Transbrasil, relatou a torre de controle ter visto luzes estranhas do céu. O mesmo aconteceu com outro transporte aéreo em cruzeiro pelo Sul do País do qual não me recordo a companhia. Seguindo a fila de notícias, constatei que em Varginha- MG, populares relataram fato semelhante. Mas há de se convir que em se tratando de aparecimento de ONVIS, o povo de Varginha, sempre vê tudo. Mais adiante, na região da Patagônia, um avião ou mesmo populares denunciaram esse mesmo fato. Por isso ter acontecido a certa de muitos anos, minha memória prendeu-se apenas aos fatos acontecidos em Barreiras. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação
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(Capítulo 05 Episódio 1) – OVNIS VISITANDO O NEGO D’ÁGUA Só não revelo o dia exato em que o fato aconteceu, mas posso afirmar que foi na década de 90, em um dos dois mandatos do Prefeito Saulo Pedrosa. Ocupava então o cargo de chefe de jornalismo da RB 790, a famosa Rádio Barreiras que na época disputava com a TV Oeste, grande parcela de audiência. Na sala de jornalismo crepitava por 24 horas seguidas o infernal teletipo. Essa geringonça produzia dezenas de metros de papel, com notícias do Brasil e do mundo. Aproveitávamos o que era mais interessante e descartávamos o que fosse considerado supérfluo ou irrelevante. A maioria era. A direção da emissora estava praticamente focada em assuntos locais, pois os demais possivelmente estariam a cargo da televisão, ou das emissoras da cidade que não dispunham de condições técnicas para coletar notícias. Começo a contar essa história pelo teletipo, pois foi por onde a comprovação desse episódio pode ter recebido um pequeno relance de comprovação. Digo pequeno, pois em se tratando de assuntos dessa natureza, as dúvidas e as contradições estão sempre intrínsecas. Mas vamos aos fatos. Tudo aconteceu certa noite de lua cheia, a beira do Rio Grande, em frente ao tradicional bar “Nego D’água”, que anos depois sob nova administração passou a ser Trapiche. Um local aprazível, possivelmente ainda nos dias de hoje, considerado como o melhor da cidade, caso seja aproveitado. A administração do referido bar se posicionava em um trailer na região mais alta do lote. Um declive natural com alguns patamares, permitia aos usuários posicionarem-se em ambientes diversos. O derradeiro deles estava localizado próximo as margens do rio. Se me recordo um barco naufragado e parcialmente destruído, compunha esse quadro de aspecto bucólico. Esse era o local preferido dos usuários que pretendiam melhor privacidade. Seja por isso, que a famosa “Esquadrilha da Fumaça”, composta por jovens barreirenses adeptos da “queima da palha”, curtiam sua lombra. Nessa noite, bem próximo ao início da madrugada, deparam-se com uma visão inédita. Surgira de repente. Tinha a forma de um enorme prato fantasmagoricamente iluminado. Uma luz intensa com uma tonalidade inédita e desconhecida que pairou no ar por alguns segundos. Em velocidade impressionante deslocou-se até próximo a torre da Igreja e em segundos reapareceu na direção da saída da cidade e finalmente sumiu. (continua no próximo episódio) Guto de Paula Redator da Central São Francisco de Comunicação