sábado , 28 março 2020
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Programa Mais Algodão conclui atividades no Peru com foco no bicudo do algodoeiro

Abrapa é referência de gestão e governança para os produtores peruanos.

Com uma série de reuniões em Lima, no Peru, entre os dias 11 e 14 de fevereiro, vão chegando ao fim as atividades de cooperação internacional para o fortalecimento da cotonicultura nos países do Mercosul, Haiti e África Subsaariana, meta do programa Mais Algodão. O Peru, internacionalmente conhecido por seu algodão de fibra extralonga, cultivado em mini e pequenas propriedades, espelha-se no exemplo do Brasil para o controle do bicudo-do-algodoeiro, bem como em outras iniciativas positivas do país, que hoje é o quarto maior produtor e o segundo exportador mundial da pluma. Isso se dá, tanto na área de pesquisa científica e difusão de tecnologia, como na orientação para a instituição de modelos positivos de associativismo, gestão e governança, parâmetros fornecidos pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

De acordo com o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, o compartilhamento de informações é essencial para fomentar a cotonicultura peruana, que já contabilizou cerca de 200 mil hectares de lavouras de algodão e hoje tem apenas em torno de 18 mil hectares. “O projeto chega ao fim neste ano de 2020 e cada país beneficiário vai transformar as informações que recebeu em um plano de gestão, que deverá ser submetido ao governo. Este, por sua vez, irá implantá-lo, destinando, para isso, recursos orçamentários”, detalha o diretor da Abrapa.

Portocarrero diz que o algodão Pima peruano é conhecido por sua excelente qualidade e entra no blend das indústrias toda vez que se deseja alcançar tecidos diferenciados. “Entretanto, o modelo de produção deles é familiar, e a quantidade é muito pequena. Incrementar a cotonicultura lá ajuda aumentar a demanda por algodão nesse nicho de mercado de tecidos especiais”, explica.

O foco das reuniões de encerramento do programa foi o bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura no Brasil, mas uma preocupação menor no Peru. “O bicudo peruano é menos agressivo que o mexicano, que é o que quase exterminou a atividade nos anos 90 no Brasil e que segue sendo uma ameaça por aqui. Mas, claro, que lá ele também exige monitoramento e combate”, diz. Para o diretor, os resultados verificados no Peru foram muito positivos.

Além da Abrapa, o Projeto Mais Algodão conta com a participação da Embrapa e da Emater, respectivamente, no apoio à difusão tecnológica, pesquisa e assistência técnica. Os signatários do projeto, junto com a associação, são o Ministério das Relações Exteriores do Brasil /Agência de Brasileira de Cooperação (MRE/ABC), o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e o Escritório da FAO para a América Latina e Caribe. Esta iniciativa surgiu, em 2012, como contrapartida brasileira às ações reparatórias ao Brasil, resultantes do acordo relativo ao contencioso do algodão, no qual o país saiu vitorioso em contenda histórica contra os subsídios americanos no âmbito da OMC.

Durante a visita ao Peru, Marcio Portocarrero e os representantes da Embrapa e da Emater fizeram diversas visitas, que incluíram a Embaixada Brasileira e os órgãos de pesquisa, extensão rural e vigilância fitossanitária do Peru. Eles puderam ver os resultados alcançados com os ensaios, os materiais desenvolvidos, e, também discutiram a aplicação dessas informações para o fortalecimento da cotonicultura naquele país. “Creio que o elo que faltava da parte do governo peruano era a extensão rural. É necessário um projeto para continuar o trabalho que vem sendo feito desde 2012, e para fazer esses resultados chegarem ao produtor e suas cooperativas”, concluiu o executivo.

Imprensa Abrapa

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