sábado , 17 novembro 2018
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Dom Cappio e a Luta pelo Velho Chico

A transposição do rio São Francisco é na uma tentativa para resolver o problema da população do nordeste semiárido que sempre sofreu com a seca, porém trata-se de um projeto bastante polêmico que acabou sendo alvo de críticas de ambientalistas e representantes de setores da sociedade, inclusive religiosa. O projeto estabelece a construção de canais ligando o São Francisco a bacias hidrográficas menores e açudes do Nordeste e daí a construção de adutoras para a distribuição da água. Porém, a seca começa bem antes do ponto do desvio das águas do Velho Chico.

Aqui na região oeste da Bahia as populações ribeirinhas atravessam uma crise sem tamanho. O assoreamento, a agricultura irrigada com a implantação de pivôs desenfreadamente, e a degradação ambiental estão matando as nascentes. 77% das águas que saem do leito vão para a agricultura e pecuária. Os ambientalistas não têm dúvidas: estão exigindo demais do Velho Chico.

Dom Frei Luís Flávio Cappio é o maior defensor do Velho Chico, ele percorreu toda a extensão do rio a pé. E aponta com conhecimento profundo os principais problemas que estão causando a morte do Rio São Francisco.

Ações para socorrer o Velho Chico, a moratória do Cerrado, visando impedir as obras que venham a ser executadas com impacto ambiental negativo, na bacia do Rio São Francisco; Suspenção total das atividades de carvoeiramento de mata nativa e controle das expansões da monocultura do eucalipto; Zoneamento ambiental no processo de licenciamento ambiental de projetos econômicos; Revogação de projetos de novas barragens que aprofundam a desnaturalização do rio; Revogação de projetos de centrais nucleares de novos e grandes perímetros irrigados; Realização de uma ampla reforma agrária que democratize o acesso à terra e implante o desenvolvimento agrícola; Regularização das terras públicas na bacia, privilegiando a titulação das comunidades tradicionais, quilombolas, geraizeiros, etc., com implantação de reservas extrativistas; Saneamento ambiental, com coleta e tratamento dos esgotos; Fortalecimento do sistema nacional de recursos hídricos, compartilhado com os diversos seguimentos da sociedade; Recuperação ambiental da bacia do São Francisco de forma integrada; Amplo e continuo processo de educação ambiental; Valorização das manifestações artísticas e culturais dos povos da bacia; Recursos suficientes para a revitalização da bacia com mecanismos democráticos de controle social sobre sua aplicação. Essas são algumas das medidas apontadas e defendidas por Dom Cappio para revitalizar o rio.

O Velho Chico nasce na Serra da Canastra, centro-oeste de Minas. São mais de 2,8 mil km que cortam cinco estados, até desaparecer nas águas do Atlântico, na divisa de Sergipe e Alagoas.

Pelas leis ambientais, margens de rios como o São Francisco, devem ter a proteção de pelo menos cem metros de mata em cada lado. Os projetos de revitalização, que preveem o replantio das matas ciliares, até agora não plantaram uma árvore. E assim as águas do Velho Chico vão ficando cada vez mais escassas, e como afirmou Dom Cappio, “Nem na UTI, o Rio São Francisco está”.

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